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sexta-feira, abril 27

Fotoreportagem: Comemorações do 25 de Abril ensombradas pela PSP


Tudo começou com uma velhota de cravos vermelhos na mão, símbolo de um tempo que sofreu e gostou da mudança, uma mudança para tempos mais livres, em que todos, sem excepção de cores, credos, religiões ou tendências podiam expressar as suas ideias, opiniões, gostos. À sombra do totalitarismo do Marquês de Pombal a mulher idosa ergueu um cravo, um cravo vermelho como o sangue de uma luta recortado contra o celeste e o branco de um ideal que se espelhava no céu.

E as gentes que passavam viram a mulher, juntaram-se, aplaudiram, congregaram-se em torno dela como um símbolo vivo de um país que vive oprimido sem o saber, ontem como hoje, inconsciente da sangria que os novos barbeiros lhe prescreveram para que recuperasse a saúde, de um povo que necessita de um estímulo para gritar, para se revoltar, para reagir e protestar. E a multidão cresceu ingente, ordeira, pacata, recordando sebásticamente tempos épicos de uma revolta passada e esperando um Messias redentor que a conduzisse a revoluções futuras.

Mas um grupo de provocadores chegou, com o uniforme da repressão vestido e caixas de tomates na mão. Era a memória antiga, de tempos em que autoridade significava repressão e se podia fazer o que se quisesse. Em que se introduziam elementos agitadores para melhor se reprimir.



E a multidão ordeira depositou um cravo sobre os tomates da repressão e desceu a avenida a protestar.



quinta-feira, abril 19

Rodrigo: grande cartoonista

A edição on-line do semanário «O EXPRESSO» publica diariamente um cartoon de Rodrigo. De excelente qualidade gráfica e humor fino e mordaz, os cartoons de Rodrigo habituaram-me a uma primeira risada matutina antes de ir à casa de banho lavar as fuças, a pianola e tentar passar um pente nesta massa desgrenhada a que chamo cabelos. É uma espécie de ritual propiciatório que me dispõe bem para mais um dia de trabalho cinzento. E hoje não foi excepção a não ser por via da gargalhada soltada ter sido mais prolongada e o tom mais sonoro. E eis o porquê:



Obrigado Rodrigo

segunda-feira, abril 16

Ainda o novo cartaz do PNR

Pois é, quem passar pelo Marquês de Pombal vai deparar com o espectáculo de doze imbecis do PNR em atitude vigilanto-caceteira ao novo cartaz da obscenidade a que chamam partido.
Pelos vistos e se Portugal precisasse de vós não havia necessidade de reacções trauliteiras e intimidatórias. Ou será apenas a loucura dos vossos fuhrer de meia tijela a precisar de vós? Em que é que ficamos?












domingo, abril 15

O Novo Cartaz do PNR



As ideias não se apagam, discutem-se!


E eis como uma afirmação, que gozaria da unanimidade num meio de seres humanos civilizados na plenitude das suas faculdades mentais e racionais, não deixa de me causar uma certa perplexidade quando vem da boca de quem vem. E isto por dois motivos:

a) Coloco sérias dúvidas no que toca à existência de ideias na cabeça dos meninos de coro com couro dos rapazes forçudos do PNR. Sempre me lembro de ouvir dizer uma frase de sabedoria popular: Quem tem força puxa uma carroça!. Sempre me senti indignado por essa afirmação. O asno era um bicho simpático que me habituara a estimar desde pequeno na figura do asno do moleiro bêbedo que tantas vezes me carregara sentado em cima das taleigas encosta acima. Não demostrava ele receios, caprichos, afectos, tentações, anseios quando subia no seu dorso a longa e íngreme calçada em dias de verão, por entre o nervoso do passo miudo e o resvalar do casco na caruma seca contra o granito polido das pedras do chão. Por isso te respeito enquanto bicho simpático e inteligente, com orelhas felpudas e olhos ternos, e é por respeito a este sentimento que a mim te liga que por aqui não irei entrar. Por te reconhecer, embora com a redução devida à tua condição animal, capacidade racional, relaccional e emotiva como ocorre com os seres humanos racionais. O que nos leva a uma velha questão: a ideia. Não iremos aqui definir a questão de ideia porque muitos e melhores do que nós já antes o fizeram, e porque sempre me disseram que quando se discute com alguém é conveniente e de bom tom modificar a complexidade da expressão pelo que se torna bastas vezes legítimo o simplificar dos conceitos envolvidos. Explicada que está a ausência de correntes filosóficas no presente texto, poderíamos definir ideia como elemento ou conjunto de elementos que, de per si ou reunidos de acordo com determinados parâmetros, de forma simples ou elaborada, são detentores de um breve vislumbre de racionalidade.
Como os senhores do PNR certamente se aperceberão, uma tal definição exclui-os de todo e possibilidade de em vós poder refugiar abrigo, mesmo que passageiro e provocado por alguma corrente de ar, alguma ideia. Deviam deixar crescer um pouco o cabelo certamente. Mas para isso era necessário que se lembrassem da política de fixação de solos de D. Dinis com a plantação do pinhal de Leiria que se aprendia antes na quarta classe. Devo estar a ficar velho porque já ninguém se lembra disso. Não que eu seja preconceituso com skinsheads. Antes pelo contrário. Lembrar-me-ei das longas noites de debate político no Espace 68 da Université Michel de Montaigne (EX-Bordeaux III) quando, numa mesma sala em auto-gestão, partilhada pelos vários grupos de esquerda se podia ter uma boa biblioteca de Ciência Política como humanista. Onde se discutiam ideais e se falava de Thoreau, de Bakhunin, de Proudhom, de Marx, de Mao e de Kropotin, de Victor Hugo como de Renato Curzio. Numa mesma sala coo-habitavam e discutiam ideias pessoas das mais variadas tendências, de forma mais ou menos ordeira mas sempre numa base de paridade e de respeito. Entre eles estavam vários skinheads ligados ao movimento SHARP, outros mais vermelhos ligados a movimentos anarquistas e anarco-comunistas. Com eles tive longas e acesas discussões pois eram gente com um pensamento estruturado e com cultura política e convicções profundas. E que dizer do Vasco, punk atípico vegetariano e terno com a graça de um coice de mula, e do Claudio, velho companheiro e fiel amigo de danças e andanças de e per strada das noites de Roma, Florença, Bratislava, Bolonha, Salerno, Nápoles, Procida, Milão, Praga, Pistoia. Não me move o preconceito contra os cabeças rapadas mas o devido respeito à racionalidade básica presente em algo de um direito natural tão linear como um Não Matarás! E é chegados a este ponto que a questão da discussão se esbate e se entra no ponto dois.

b) Que questão da discussão pressupõe a existência de ideias e de interlocutores válidos para o fazer já foi atrás demonstrado; no entanto, e partindo do remoto e académico princípio de contradição, vamos aqui colocar a hipótese retórica de ser esse o vosso caso. Lembro-me do meu caro e saudoso amigo Valerio Costa me dizer muitas vezes, por entre os bosques de Trento, que a civilização e a História começaram no dia em que alguém se decidiu a substituir a clava pela palavra. A ideia de discussão de ideias num ambiente de não-violência, de respeito e de paridade entre interlocutores era uma marca civilizacional de primeira grandeza. Era a marca! O intelecto substituia-se ao primarismo instintivo, o diálogo à brutalidade e à agressividade. E também neste campo perdeis e inviabilizais qualquer diálogo ou discussão. Não respeitais o próximo e apenas sabeis agredir com sanha de predadores cobardes. Como as hienas, em grupos alardemente alarves haveis morto gente em imbecis rituais de violência gratuita, matastes, cobardemente a coberto da noite e do grupo, Alcino Monteiro, o Zé da Messa e tantas outros, baseais a vossa identidade no culto da força e não no da razão sem terdes por isso a coragem e a nobreza de um caçador que caça solitário abertamente à luz do dia, soides parasitas e insultais o próprio sistema democrático com a Vossa existência. A Vossa própria existência enquanto partido político é obscena porque amoral, como imoral se torna um sistema que vos conceda qualquer possibilidade de existência legal.

E aqui seguem exemplos do vosso tipo de discussão:

terça-feira, abril 10

Ainda sobre o Gato Fedorento, o PNR e a Câmara Municipal de Lisboa



(para leitura clicar sobre a foto)

O Público de 9 de Abril publicou um interessante artigo de opinião da autoria de Rui Tavares e que, muito embora não tenhamos solicitado a devida permissão ao articulista e ao quotidiano lisboeta, gostaríamos de aqui incluir, pela lucidez da análise e pela frontalidade da denúncia.

sexta-feira, abril 6

A CML só age quando não deve



O «Diário Digital» de hoje (2007-04-06) dá-nos a conhecer mais uma pérola da falta de bom-senso e bom gosto a que a Câmara Municipal de Lisboa já nos habituou. Eis a notícia:

Segundo uma nota do gabinete do vereador dos Espaços Públicos, António Proa, o cartaz dos Gato Fedorento, colocado ao lado do do PNR, «não possui licença camarária».
Caso a notificação para a retirada do cartaz não seja cumprida, a autarquia vai «proceder à sua remoção coerciva», que terá que ser paga pelo infractor.
Onde o PNR defende que «Basta de Imigração», com a imagem de um avião a descolar e a mensagem «Façam boa Viagem», os humoristas do Gato Fedorento contrapõem «Mais Imigração!», com a imagem de um jacto a aterrar acompanhado da legenda «Bem vindos!».
A sátira à mensagem do PNR estende-se a outras frases que os Gato Fedorento colocaram no cartaz: «a melhor maneira de chatear estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal» e «Nacionalismo é parvoíce».
As caras dos quatro humoristas surgem caracterizadas à semelhança do presidente do PNR, José Pinto Coelho, com bigode e pêra, e reproduzindo a sua expressão facial no cartaz que na semana passada originou polémica pela mensagem contra a imigração e que foi vandalizado no dia a seguir a ser colocado.
A nota da autarquia refere que em relação ao cartaz do PNR, cujas mensagens ficaram praticamente ilegíveis depois do vandalismo, «não tem capacidade legal» para o remover, ressalvando que «a lei confere total liberdade» às forças políticas e que a autarquia não pode agir «mesmo quando a razoabilidade e o bom senso assim o pareçam exigir».


Uma tal decisão é, no mínimo, insólita.
Primeiro, desde quando um acto de cidadania deve ser objecto de licenciamento camarário? Já se está a ver que, em termos de futuro a CML vai exigir que todos aqueles que optem por tomar uma posição cívica vão ter de pedir um alvará de licenciamento à CML para o poder fazer. Espera-se para breve o enxamear de cartazes como o que a seguir se reproduz:


Segundo, parece insólito que uma câmara afogada em escândalos vários venha agora, de repente, transformar-se num bastião de uma bacoca legalidade burocrática.
Terceiro, qual a legalidade de uma Câmara que insistiu em não pedir um estudo de impacto ambiente para monumentais cagadas como a do Túnel do Marquês de Pombal?
Quarto, não seria mais lógico o vereador dos espaços públicos preocupar-se com estes em vez de se transformar numa espécie de censor de tradição Mac Carthysta?
Quinto, se o senhor vereador não tem mais que fazer do que as punhetas mentais que agora exibe, permito-lhe sugerir a limpeza das estátuas dos espaços públicos de Lisboa (o Adamastor no Alto de Santa Catarina é um caso flagrante) ou que olhe para o exemplo, um entre muitos que aqui podíamos citar, em que se encontra o jardim do torel e que a seguir reproduzimos:



Ou será que a CML só age mesmo quando a razoabilidade e o bom senso assim o pareçam não exigir????

quinta-feira, abril 5

Gato Fedorento




Isto sim é que é cidadania.
Combater a parvoíce com humor.