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segunda-feira, abril 30

Paleografia Moderna VI



Será que se fizer a perna inteira oferecem barba?
E se depilar os pelos púbicos e as axilas oferecem as patilhas?

segunda-feira, abril 16

Ainda o novo cartaz do PNR

Pois é, quem passar pelo Marquês de Pombal vai deparar com o espectáculo de doze imbecis do PNR em atitude vigilanto-caceteira ao novo cartaz da obscenidade a que chamam partido.
Pelos vistos e se Portugal precisasse de vós não havia necessidade de reacções trauliteiras e intimidatórias. Ou será apenas a loucura dos vossos fuhrer de meia tijela a precisar de vós? Em que é que ficamos?












domingo, abril 15

O Novo Cartaz do PNR



As ideias não se apagam, discutem-se!


E eis como uma afirmação, que gozaria da unanimidade num meio de seres humanos civilizados na plenitude das suas faculdades mentais e racionais, não deixa de me causar uma certa perplexidade quando vem da boca de quem vem. E isto por dois motivos:

a) Coloco sérias dúvidas no que toca à existência de ideias na cabeça dos meninos de coro com couro dos rapazes forçudos do PNR. Sempre me lembro de ouvir dizer uma frase de sabedoria popular: Quem tem força puxa uma carroça!. Sempre me senti indignado por essa afirmação. O asno era um bicho simpático que me habituara a estimar desde pequeno na figura do asno do moleiro bêbedo que tantas vezes me carregara sentado em cima das taleigas encosta acima. Não demostrava ele receios, caprichos, afectos, tentações, anseios quando subia no seu dorso a longa e íngreme calçada em dias de verão, por entre o nervoso do passo miudo e o resvalar do casco na caruma seca contra o granito polido das pedras do chão. Por isso te respeito enquanto bicho simpático e inteligente, com orelhas felpudas e olhos ternos, e é por respeito a este sentimento que a mim te liga que por aqui não irei entrar. Por te reconhecer, embora com a redução devida à tua condição animal, capacidade racional, relaccional e emotiva como ocorre com os seres humanos racionais. O que nos leva a uma velha questão: a ideia. Não iremos aqui definir a questão de ideia porque muitos e melhores do que nós já antes o fizeram, e porque sempre me disseram que quando se discute com alguém é conveniente e de bom tom modificar a complexidade da expressão pelo que se torna bastas vezes legítimo o simplificar dos conceitos envolvidos. Explicada que está a ausência de correntes filosóficas no presente texto, poderíamos definir ideia como elemento ou conjunto de elementos que, de per si ou reunidos de acordo com determinados parâmetros, de forma simples ou elaborada, são detentores de um breve vislumbre de racionalidade.
Como os senhores do PNR certamente se aperceberão, uma tal definição exclui-os de todo e possibilidade de em vós poder refugiar abrigo, mesmo que passageiro e provocado por alguma corrente de ar, alguma ideia. Deviam deixar crescer um pouco o cabelo certamente. Mas para isso era necessário que se lembrassem da política de fixação de solos de D. Dinis com a plantação do pinhal de Leiria que se aprendia antes na quarta classe. Devo estar a ficar velho porque já ninguém se lembra disso. Não que eu seja preconceituso com skinsheads. Antes pelo contrário. Lembrar-me-ei das longas noites de debate político no Espace 68 da Université Michel de Montaigne (EX-Bordeaux III) quando, numa mesma sala em auto-gestão, partilhada pelos vários grupos de esquerda se podia ter uma boa biblioteca de Ciência Política como humanista. Onde se discutiam ideais e se falava de Thoreau, de Bakhunin, de Proudhom, de Marx, de Mao e de Kropotin, de Victor Hugo como de Renato Curzio. Numa mesma sala coo-habitavam e discutiam ideias pessoas das mais variadas tendências, de forma mais ou menos ordeira mas sempre numa base de paridade e de respeito. Entre eles estavam vários skinheads ligados ao movimento SHARP, outros mais vermelhos ligados a movimentos anarquistas e anarco-comunistas. Com eles tive longas e acesas discussões pois eram gente com um pensamento estruturado e com cultura política e convicções profundas. E que dizer do Vasco, punk atípico vegetariano e terno com a graça de um coice de mula, e do Claudio, velho companheiro e fiel amigo de danças e andanças de e per strada das noites de Roma, Florença, Bratislava, Bolonha, Salerno, Nápoles, Procida, Milão, Praga, Pistoia. Não me move o preconceito contra os cabeças rapadas mas o devido respeito à racionalidade básica presente em algo de um direito natural tão linear como um Não Matarás! E é chegados a este ponto que a questão da discussão se esbate e se entra no ponto dois.

b) Que questão da discussão pressupõe a existência de ideias e de interlocutores válidos para o fazer já foi atrás demonstrado; no entanto, e partindo do remoto e académico princípio de contradição, vamos aqui colocar a hipótese retórica de ser esse o vosso caso. Lembro-me do meu caro e saudoso amigo Valerio Costa me dizer muitas vezes, por entre os bosques de Trento, que a civilização e a História começaram no dia em que alguém se decidiu a substituir a clava pela palavra. A ideia de discussão de ideias num ambiente de não-violência, de respeito e de paridade entre interlocutores era uma marca civilizacional de primeira grandeza. Era a marca! O intelecto substituia-se ao primarismo instintivo, o diálogo à brutalidade e à agressividade. E também neste campo perdeis e inviabilizais qualquer diálogo ou discussão. Não respeitais o próximo e apenas sabeis agredir com sanha de predadores cobardes. Como as hienas, em grupos alardemente alarves haveis morto gente em imbecis rituais de violência gratuita, matastes, cobardemente a coberto da noite e do grupo, Alcino Monteiro, o Zé da Messa e tantas outros, baseais a vossa identidade no culto da força e não no da razão sem terdes por isso a coragem e a nobreza de um caçador que caça solitário abertamente à luz do dia, soides parasitas e insultais o próprio sistema democrático com a Vossa existência. A Vossa própria existência enquanto partido político é obscena porque amoral, como imoral se torna um sistema que vos conceda qualquer possibilidade de existência legal.

E aqui seguem exemplos do vosso tipo de discussão:

segunda-feira, março 19

Paleografia Moderna V

Grande novidade esta, a dos elevadores exo-ignífugos. Esta pérola, do fundo do baú dos cartazes de elevador, pode ser contemplado no elevador de casa de um colega, entre a Estefânia e o Campo de Sant'Anna, quase em frente ao DIAP, mesmo em frente a um buraco urbano que a saloia esperteza municipal transformou em estacionamento a pagamento em vez de adaptar a espaço verde e construir um belíssimo miradouro sobre as colinas da Penha de França, da Senhora do Monte, da Graça e do Castelo antes de se espraiar ao fundo no Tejo. O número não o podemos revelar por ser um dado privado que poderia levar à identificação do colega que mora nesse prédio e eu sou arquivista de profissão e por isso sei que com os dados pessoais só brinca quem tem uma fundação por detrás.
São vários as dúvidas que me assaltam:
a) Será que se pode deitar cigarros, charutos, cachimbadas, brocas e outros fumógenos para os lados, para dentro ou mesmo para a parte de baixo das caixas de elevador?
b) Será que as caixas de elevador só podem pegar fogo perante a eminência de beatas e congéneres criteriosamente dispostas no seu cucuruto?
c) Será que o grau de combustibilidade do topo das caixas de elevador diminui se o cigarro for light?
d) E se for rapé, será que há a hipótese de não pegar fogo?
e) E se forem cigarros aditivadas com substancias alucinogéneas como extracto de Santana Lopes?
Pois é! Assim não dá!
O público tem o direito de ser informado e de ver esclarecidas as suas dúvidas quanto às probabilidades de acontecerem catástrofes, cataclismos, maiorias absolutas, desgraças e outros infortúnios vários consoante a opção tabágica e a trajectória balística dos paivantes adoptada.

sábado, fevereiro 17

Palegrafia moderna IV



Que a alimentação rica em açucares estivesse a transformar os portugueses em bolinhas de unto deambulantes já era sabido, agora que os chocolates tivessem virtudes mictórias e laxantes desconhecia.

sexta-feira, fevereiro 16

Paleografia Moderna III



Não podemos aqui calar a nossa mais profunda consternação por, no nº 24 da Rua José Estêvão, sito nesta nossa cidade de Lisboa, continuarem a subsistir os atropelos aos direitos dos animais e à legislação comunitária.

Como toa a gente sabe a lagarta é aquele animalzinho simpático que, de obscura cagadela num sítio sombrio e húmido, vai passando a larva, crisálida, casulo (na fase fetichista) e acaba por se transformar em borboleta. A sua capacidade de sobreviver em diferentes ambientes leva-a a escolher habitats tão distintos como os pratos de salada das cantinas universitárias, o estádio de alvalade (preferiam o antigo. Da última vez que as centopeias as foram aí visitar escorregaram e partiram as pernas nos azulejos de casa de banho.), hortas, e outros sítios onde criaturas desprovidas de coluna vertebral possam pastar como é o caso do parlamento, do patriarcado, quarteis, sede do PRN, casas de putas e afins.
Prender uma lagarta num elevador, mesmo que situado na Estefânia e num prédio de gente bem, é um crime inadmissível, um inqualificável atropelo à dignidade da lagarta. Se o problema é já grave, mais ainda se tornará quando, após a saída do casulo, tiver de esticar e secar as asinhas na caprichosa intermitência da luz do elevador. Mais ainda, como não foram criadas condições de acessibilidade para a lagarta no dito elevador, a pobre vai ter de se sujeitar à humilhante situação de ter companhia no elevador. Convenhamos que se trata de uma actividade íntima e não adequada ao voyeurismo mirone dos utentes do já mencionado elevador.

E que dizer ainda a respeito dos efeitos nefastos que a nicotina poderá causar à saúde da dita lagarta: cancro da penugem, endurecimento das articulações, bicos de papagaio, um rombo na carteira, alteração da cor das asas por causa da nicotina, ejaculação precoce, impotência e chatices muito sérias na borboletopausa.
Finalmente, trata-se de uma flagrante violação ao direito de circulação comunitário que, por ser tão grosseira, nos escusamos de comentar.
Não vos lembraides da lagarta que há em todos nós, naquela lagartinha maluca da Alice in Wonderland da nossa infância, e eu da então assistente e hoje PROF e fanática da TLEBS Clara Correia às voltas com a Alice au Pays du Langage da Marina Yaguello, e tantas e tantas outras recordações individuais e colectivas que logo nos acorrem ao pensamento quando dela ouvimos falar. É por isso, para que todos nós sejamos capazes de recordar e deixar em tributo vivo aos vindouros aquele olhar brando, doce, meigo e piedoso como a Laura de Petrarca -- discordamos obviamente da posição de Pedro Santana Lopes que, no seu livro Causas de Cultura refere ter Petrarca tido um caso com Beatriz e Laura ser a amada platónica de Aretino --, para que também eles, os nossos filhos, netos, bisnetos e outros a vir possam, também eles, interromper a leitura da Menina e Moça sob a sombra dos amieiros e contemplar tão augustas faces.
Posto isto, lançamos daqui o apelo a quem de direito,
às autoridades,
aos desautorizados,
aos partidários do SIM (tirando a Inês Pedrosa),
aos partidários do NÃO (tirando todos menos uma menina de t-shirt do Não justinha num dia de campanha à chuva),
aos defensores dos animais,
aos amantes dos programas do Manuel Luis Goucha´,
à Sociedade Filarmónica e Recreativa dos Confrades da Irmandade da Boa Pinga,
às putas como aos políticos,
às portuguesas (com especial interesse por uma certa menina de t-shirt do Não justinha num dia de campanha à chuva e satitantes seios túrgidos),
aos portugueses,
meninas e meninos,
unide os vossos corpos num abraço fraterno e ergueide a voz, juntando-a à nossa, ao sempre crescente número de membros, militantes ou apenas simpatizantes, curiosos ou penetras que o MLLE - Movimento de Libertação da Lagarta de Elevador tem vindo a registar nas suas fileiras:




num único, enorme, gigantesco grito, numa só voz, numa só vontade, numa mole colectiva que avança inexoravelmente para a plenitude do século XXI e cujo eco irá ser visto pelo Hubble no século XXXXXVIII e gritaide:


LIBERTEM A LAGARTA

quarta-feira, fevereiro 14

Paleografia Moderna - II



Pois é, a saga dos cartazes agora continua seguindo a clave da retoma económica anunciada? Ou será isto uma manifestação genial do espírito empresarial. o que eu sei é que espero não estar cá para ver os cartazes de LIQUIDAÇÃO TOTAL PARA MUDANÇA DE RAMO desta confeitaria: Vendem-se mós para moinho (Pão de ló dos últimos dez anos 10 - 1,99€).

quinta-feira, fevereiro 1

Paleografia moderna


Em virtude de a leitura ser algo de difícil para os não paleógrafos modernos apresentamos de seguida a transcrição:

# AVISO #
EISTA FIRMA NÃO GUARDA
NEM SACOS NEM QUALQUER
OBEJETOS
A GERÊNCIA

A presente transcrição foi realizada por Ricardo Cerveira de Abreu Castelo Branco, não a partir das Causas da Cultura de Pedro Santana Lopes como o incauto leitor certamente poderia pensar, mas faz parte de um album de paleografia moderna a publicar pelo autor da transcrição e cuja maior fonte documental são os cartazes de aviso das pastelarias finas ou de bairro, aperaltadas ou sebentas, restaurantes ou tascas, bordeis ou parlamentares desta nossa cidade de Lisboa. No Album de Paleografia Moderna que agora se anuncia nota-se, entre outra preocupações, o cuidado extremo em questões éticas. Assim, serão omitidas quaisquer referências aos locais por questões de não aceitarmos neste blog a publicidade e para não interferirmos com as leis do mercado e da concorrência. O impacto que o aparecimento de uma obra como esta poderia ter nos meios culturais em particular e na população em geral seria, estamos em crer, responsável por um fluxo de visitantes aos locais na obra mencionados, com o abandono e a falência certa dos aí não referidos. Ainda a respeito desse possível fluxo populacional se poderia dizer que distorceria o mercado habitacional na cidade de Lisboa. Passaria a ser fino dizer: «Eu moro mesmo em frente daquela tasquinha histórica do Intendente, como do Bairro Alto, ou da Travessa do Possôlo, ou do Palácio de Belem, ou daquele restaurante tipo espaço muito giro ai eu sei lá que a Tèté montou com o dinheiro que aquele estafermo do marido lhe deixou coitadinha mas ficou muito bem na Quinta da Marinha, entre muitas e variadas outras consequências ao nível da geografia urbanística da moda que o brilhante espírito do autor da obra escogitou e que o luminoso discernimento dos leitores da obra certamente vislumbrará.
Recensão crítica elaborada por
Willie The Pimp