Mostrar mensagens com a etiqueta bosta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bosta. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, abril 27

Fotoreportagem: Comemorações do 25 de Abril ensombradas pela PSP


Tudo começou com uma velhota de cravos vermelhos na mão, símbolo de um tempo que sofreu e gostou da mudança, uma mudança para tempos mais livres, em que todos, sem excepção de cores, credos, religiões ou tendências podiam expressar as suas ideias, opiniões, gostos. À sombra do totalitarismo do Marquês de Pombal a mulher idosa ergueu um cravo, um cravo vermelho como o sangue de uma luta recortado contra o celeste e o branco de um ideal que se espelhava no céu.

E as gentes que passavam viram a mulher, juntaram-se, aplaudiram, congregaram-se em torno dela como um símbolo vivo de um país que vive oprimido sem o saber, ontem como hoje, inconsciente da sangria que os novos barbeiros lhe prescreveram para que recuperasse a saúde, de um povo que necessita de um estímulo para gritar, para se revoltar, para reagir e protestar. E a multidão cresceu ingente, ordeira, pacata, recordando sebásticamente tempos épicos de uma revolta passada e esperando um Messias redentor que a conduzisse a revoluções futuras.

Mas um grupo de provocadores chegou, com o uniforme da repressão vestido e caixas de tomates na mão. Era a memória antiga, de tempos em que autoridade significava repressão e se podia fazer o que se quisesse. Em que se introduziam elementos agitadores para melhor se reprimir.



E a multidão ordeira depositou um cravo sobre os tomates da repressão e desceu a avenida a protestar.



segunda-feira, abril 23

Espaço ecuménico

Não sou republicano, não sou laico, não sou socialista e se calhar até sofro da próstata mas tenho, ao contrário de KIM IL SOARES, candidato a presidente da Coreia do Norte, uma vocação ecuménica que me levou a albergar no templo do meu blog, um espaço, por pequeno que seja destinado a confissões religiosas minoritárias. Assim, hoje dedicamos este espaço a um culto regional: a

IGREJA DA ORDEM BANANEIRA DAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES


cujo profeta e sumo pontífice, longe das temáticas sanitárias que costumam ocupar os seus acólitos, deu ontem uma brilhante interpretação da DIVINA PROVIDÊNCIA e das Suas acções.



Alberto João Jardim marcou o arranque da campanha para a sua reeleição para o Governo Regional da Madeira com criticas a José Sócrates, afirmando que a recente polémica por causa do percurso académico do primeiro-ministro é um "castigo divino pelo mal que está a fazer à Madeira e aos portugueses". A estratégia eleitoral de João Jardim passa por desvalorizar os seus adversários directos às eleições regionais antecipadas de 6 de Maio, para centrar os seus ataques no primeiro-ministro.
"Nosso Senhor não castiga nem com paus nem com pedras. Ele [José Sócrates] quis fazer mal a tanta gente que agora está a ser castigado”, disse na Camacha o presidente demissionário do Governo Regional da Madeira.

segunda-feira, abril 16

Ainda o novo cartaz do PNR

Pois é, quem passar pelo Marquês de Pombal vai deparar com o espectáculo de doze imbecis do PNR em atitude vigilanto-caceteira ao novo cartaz da obscenidade a que chamam partido.
Pelos vistos e se Portugal precisasse de vós não havia necessidade de reacções trauliteiras e intimidatórias. Ou será apenas a loucura dos vossos fuhrer de meia tijela a precisar de vós? Em que é que ficamos?












domingo, abril 15

O Novo Cartaz do PNR



As ideias não se apagam, discutem-se!


E eis como uma afirmação, que gozaria da unanimidade num meio de seres humanos civilizados na plenitude das suas faculdades mentais e racionais, não deixa de me causar uma certa perplexidade quando vem da boca de quem vem. E isto por dois motivos:

a) Coloco sérias dúvidas no que toca à existência de ideias na cabeça dos meninos de coro com couro dos rapazes forçudos do PNR. Sempre me lembro de ouvir dizer uma frase de sabedoria popular: Quem tem força puxa uma carroça!. Sempre me senti indignado por essa afirmação. O asno era um bicho simpático que me habituara a estimar desde pequeno na figura do asno do moleiro bêbedo que tantas vezes me carregara sentado em cima das taleigas encosta acima. Não demostrava ele receios, caprichos, afectos, tentações, anseios quando subia no seu dorso a longa e íngreme calçada em dias de verão, por entre o nervoso do passo miudo e o resvalar do casco na caruma seca contra o granito polido das pedras do chão. Por isso te respeito enquanto bicho simpático e inteligente, com orelhas felpudas e olhos ternos, e é por respeito a este sentimento que a mim te liga que por aqui não irei entrar. Por te reconhecer, embora com a redução devida à tua condição animal, capacidade racional, relaccional e emotiva como ocorre com os seres humanos racionais. O que nos leva a uma velha questão: a ideia. Não iremos aqui definir a questão de ideia porque muitos e melhores do que nós já antes o fizeram, e porque sempre me disseram que quando se discute com alguém é conveniente e de bom tom modificar a complexidade da expressão pelo que se torna bastas vezes legítimo o simplificar dos conceitos envolvidos. Explicada que está a ausência de correntes filosóficas no presente texto, poderíamos definir ideia como elemento ou conjunto de elementos que, de per si ou reunidos de acordo com determinados parâmetros, de forma simples ou elaborada, são detentores de um breve vislumbre de racionalidade.
Como os senhores do PNR certamente se aperceberão, uma tal definição exclui-os de todo e possibilidade de em vós poder refugiar abrigo, mesmo que passageiro e provocado por alguma corrente de ar, alguma ideia. Deviam deixar crescer um pouco o cabelo certamente. Mas para isso era necessário que se lembrassem da política de fixação de solos de D. Dinis com a plantação do pinhal de Leiria que se aprendia antes na quarta classe. Devo estar a ficar velho porque já ninguém se lembra disso. Não que eu seja preconceituso com skinsheads. Antes pelo contrário. Lembrar-me-ei das longas noites de debate político no Espace 68 da Université Michel de Montaigne (EX-Bordeaux III) quando, numa mesma sala em auto-gestão, partilhada pelos vários grupos de esquerda se podia ter uma boa biblioteca de Ciência Política como humanista. Onde se discutiam ideais e se falava de Thoreau, de Bakhunin, de Proudhom, de Marx, de Mao e de Kropotin, de Victor Hugo como de Renato Curzio. Numa mesma sala coo-habitavam e discutiam ideias pessoas das mais variadas tendências, de forma mais ou menos ordeira mas sempre numa base de paridade e de respeito. Entre eles estavam vários skinheads ligados ao movimento SHARP, outros mais vermelhos ligados a movimentos anarquistas e anarco-comunistas. Com eles tive longas e acesas discussões pois eram gente com um pensamento estruturado e com cultura política e convicções profundas. E que dizer do Vasco, punk atípico vegetariano e terno com a graça de um coice de mula, e do Claudio, velho companheiro e fiel amigo de danças e andanças de e per strada das noites de Roma, Florença, Bratislava, Bolonha, Salerno, Nápoles, Procida, Milão, Praga, Pistoia. Não me move o preconceito contra os cabeças rapadas mas o devido respeito à racionalidade básica presente em algo de um direito natural tão linear como um Não Matarás! E é chegados a este ponto que a questão da discussão se esbate e se entra no ponto dois.

b) Que questão da discussão pressupõe a existência de ideias e de interlocutores válidos para o fazer já foi atrás demonstrado; no entanto, e partindo do remoto e académico princípio de contradição, vamos aqui colocar a hipótese retórica de ser esse o vosso caso. Lembro-me do meu caro e saudoso amigo Valerio Costa me dizer muitas vezes, por entre os bosques de Trento, que a civilização e a História começaram no dia em que alguém se decidiu a substituir a clava pela palavra. A ideia de discussão de ideias num ambiente de não-violência, de respeito e de paridade entre interlocutores era uma marca civilizacional de primeira grandeza. Era a marca! O intelecto substituia-se ao primarismo instintivo, o diálogo à brutalidade e à agressividade. E também neste campo perdeis e inviabilizais qualquer diálogo ou discussão. Não respeitais o próximo e apenas sabeis agredir com sanha de predadores cobardes. Como as hienas, em grupos alardemente alarves haveis morto gente em imbecis rituais de violência gratuita, matastes, cobardemente a coberto da noite e do grupo, Alcino Monteiro, o Zé da Messa e tantas outros, baseais a vossa identidade no culto da força e não no da razão sem terdes por isso a coragem e a nobreza de um caçador que caça solitário abertamente à luz do dia, soides parasitas e insultais o próprio sistema democrático com a Vossa existência. A Vossa própria existência enquanto partido político é obscena porque amoral, como imoral se torna um sistema que vos conceda qualquer possibilidade de existência legal.

E aqui seguem exemplos do vosso tipo de discussão:

quinta-feira, fevereiro 15

Notícia de última hora


Depois de Ramalho Eanes o ter obtido, chegou agora a vez de Lili Caneças obter o doutoramento honoris causa, desta vez e ao contrário do ilustre predecessor, em French kiss Studies (ele bem tentou mas acabou por desistir uma vez que o seu aparato e cavidade bucal eram demasiado hirtas para se exprimir livremente).
A tese, bem estruturada no arco de um vida de trabalho e sustentada com a experiência adquirida, agradou ao Juri, -- constituido por importantes personalidades devidamente avalizadas para poderem julgar a obra da candidata, onde avultam os nomes de José "Castel-Branco" Vieira, Cinha Jardim, Alexandre Frota, Jorge Silva Melo e Paulo Portas --, que considerou como pecando por defeito a classificação de: «Aprovada a plenos votos com louvor e distinção».
De notar a clara influência poética expressa em jogos redundantemente fónicos à maneira da Rose Selavy de Robert Desnos patente em doces e canoras afirmações.
Não querendo fazer morrer de impaciência o leitor com a espera -- aproveitamos para informar que da tese será feita uma edição a coincidir com a entrada da Alexandra Solnado para a Academia --, não resistimos aqui a deixar uma frase cheia de graça:

A Tátá disse-me que a Titi fez um tété ao Tótó que o pôs a fazer tútú como os comboios

A citação só foi possível graças à gentil colaboração da autora.
A foto usada, da autoria de Sérgio Lemos, foi publicada no Correio da Manhã de 2006-03-18 e foi aqui usada sem a gentil permissão do autor.