quinta-feira, março 8

Lisboa: Recantos VI











Passadeira vermelha



Bush iniciou hoje uma viagem pela América Latina que, a coberto de pretensos interesses ambientais mais não pretende do que consolidar os interesses americanos na região e contrastar a crescente presença e protagonismo do demagogo Hugo Chavez (espécie de bufão de uma esquerda com os mesmos tiques teatrais de Mussolini). Mas dizíamos, Bush foi ao Brasil discutir o álcool como fonte de energia. A próxima paragem será a Colômbia, quiçá para discutir a cocaína como recurso energético.

Mas, mais grave do que a impunidade com que este cowboy se mexe, é a política de cu para o ar e esfincter vaselinado dos actuais dirigentes brasileiros que, no afã servil de mostrar um Brasil próspero de postal ou cromo turístico, mandou retirar, na extensão de dois quarteirões em redor do local onde o disparate encarnado e feito pessoa num dia em que o Espírito Santo tinha adormecido vai ficar hospedado, todos os pobres da zona. Nada que nos espantasse uma vez que já o tínhamos visto com outro demagogo ditador armado em democrata mas noutra época e noutro continente. Léopold Sedar Senghor, em finais dos anos 70, que mandava recolher os pobres e os leprosos das ruas, com a carrinha do canil, sempre que um dignatário de outro país se deslocava ao país presidido pelo então secretário-geral da Internacional Socialista e Presidente da República Senegalesa por conta dos franceses. Uma mesma atitude de embelezamento da paisagem foi a efectuada por um Berlusconi mais empenhado em colar limões de plástico nos limoeiros de Génova do que em respeitar os direitos humanos dos manifestantes contra-globalização.
Mas eis que uma dúvida me assalta. Será que, aquando da próxima visita de Bento XVI ao brasil, Lula vai mandar concentrar todos os mendigos brasileiros para receber condignamente o «emissário» na Terra do Amigo dos Pobres?

sexta-feira, fevereiro 23

Lisboa: Recantos III (bis)

E depois das trevas veio a luz!









O Vicente nasceu!
Parabens Helena e Christophe

quarta-feira, fevereiro 21

Lisboa: recantos IV

O Jardim Constantino, também designado por Jardim do Florista em homenagem a Constantino Marques de Sampaio e Mello, o rei dos floristas portugueses no final do século XIX, encontra-se na freguesia de São Jorge de Arroios. Trata-se de um jardim relativamente pequeno, de traçado quadrangular, elegante e simples. Não obstante as suas dimensões, possui uma abundante vegetação que se encontra bem enquadrada no conjunto e serve de moldura viva aos elementos arquitectónico e escultórico.

A Estátua de Prometeu

Da estátua nada mais sei do que ser obra de F. Santos, de estar datada de 1923 e de ter sido oferecida à cidade pela vereação municipal em 1925. Representa Prometeu, um dos Titãs que por ter enganado os deuses na partilha das carnes sacrificiais e ter levado aos homens o conhecimento do Fogo, foi por Zeus condenado a permanecer acorrentado num rochedo e a ver ser comido quotidianamente por uma águia o fígado.















Mictório

De planta quadrangular ergue-se, com o seu revestimento de tijolo e o seu tecto de pagode chinês o mictório.
Trata-se de um dos poucos mictórios públicos com valor arquitectónico ainda activos, uma vez que a Cãmara Municipal de Lisboa tem vindo a desactivar ou, a pretexto de uma modernização de equipamentos, a eliminar da paisagem urbana de Lisboa.
De salientar um conjunto de oito painéis de azulejos, dois por fachada e dispostos nos cantos superiores, que a seguir reproduzimos. A temática reparte-se entre as figuras femininas e paisagísticas dentro de molduras e enquadramentos com motivos ornamentais florais.

















A Fonte

A fonte já não jorra,
a água não flui,
os tritões cristalizam-se na pedra seca
os vândalos partiram as caudas aos tritões
onde pára a CML?











A Flora

Rico em flora, o Jardim Constantino alberga duas árvores espantosas: uma seringueira monumental e uma malaleuca da Austrália (classificada como árvore de interesse municipal)















A decadência

Quando chega o entardecer o jardim transfigura-se, Prometeu já não ilumina a estrada aos homens que ao jardim se recolhe. E são tantos, de leste como toxicodependentes ou apenas sem-abrigo que a ele se recolhem para dormir.